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BECOS, LENDAS & CASOS PITORESCOS
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A cerimônia de lançamento do livro Becos, Lendas & Casos Pitorescos ocorrerá no dia 12 de dezembro de 2003, sexta-feira, às 20 horas, nos salões do Grêmio Esportivo Atibaiense e contará com a participação especial do Coral Pro Arte e Quinteto de Sopros de Atibaia. No escuro do Beco do Padre, Todo mundo vai namorá... Menos o bom Capelão Porque não pode se casá... Becos, Lendas e Casos Pitorescos é o título do novo livro do escritor atibaiano José de Anchieta que se encontra no prelo. De maneira coloquial o autor discorre sobre os mais antigos becos de nossa cidade, a exemplo do Beco do Padre e da Maçonaria, lembrando seus moradores e casos pitorescos. Nos capítulos Lendas, são lembradas várias estórias sempre contadas pelos antigos, como as do Esqueleto que dizia missa na Igreja Matriz, Os vampiros do Hotel Rosário, Anna Pinto e Aristides Leite em O Amor Eterno. Em Casos Pitorescos, o autor registra o do famoso Capitão Texas, A partilha do inventário do Major Alvim, A Égua Custódia e a comadre do César Magri, e outros divertidos casos sempre lembrados e comentados em Atibaia. BECOS A planta geral da cidade de Atibaia, elaborada no ano de 1800, mostra-nos a existência de três becos. Entretanto, logo no início do século 19, por volta de 1820, surgiu o Beco da Maçonaria, um dos quatro corta-caminhos, principais e primeiros, que existiram em Atibaia: • Beco do Rio • Beco do Padre • Beco da Consolação • Beco da Maçonaria Diz o dicionário que beco é uma rua estreita e curta, por vezes sem saída, ruela. Assim define o dicionário! Porém, como sentimos nós! Beco, com certeza, é muito mais que isso. Beco é saudade, é encanto, é mistério, é romance, é pecado. Nascendo na maioria das vezes antes da rua, é ele o pai, o nascedouro, a origem, enfim, a gênese das grandes artérias, alamedas, ruas e avenidas. A própria palavra nos desperta os mais variados sentimentos: Quem não se sentiu arrepiado ao ouvir as histórias assombrosas de Jack O Estripador que degolava suas vítimas nos becos e vielas estreitas de Londres? Nos romances sempre ocorriam, nos becos e vielas, momentos ternos de felicidade, na quietude de suas sombras, onde casais enamorados ouviam serestas e violões, dedilhados pelo impulso do amor e suspiros de amantes apaixonados. Nos livros e filmes de aventuras, os heróis sempre encontram um beco salvador, quando não lhes restam mais esperanças, por onde conseguem escapulir, dominar ou prender os vilões. Beco, portanto, é muito mais que um simples e pequeno trecho de rua... O beco tem alma, tem vida, tem encanto e poesia... Ele nasce com o homem, buscando encurtar distâncias; cresce com o suor dele, empregado na feitura de casas e permanece vivo na memória do tempo, com sua gente, suas histórias, suas misérias e fortunas. Acima de tudo, tem encanto, mistério, beleza e, principalmente, é o símbolo da saudade daquela vida simples e romântica, vivida entre realejos e cortesias, que os jovens de hoje jamais viram ou verão. CASOS PITORESCOS A égua Custódia e a comadre do César Magri Toda Atibaia conhecia o César Magri, lendário negociante de animais, que morava lá pelos lados do bairro da ponte. Era bem casado e sua mulher, muito trabalhadeira, era pau pra toda obra. Além de cuidar da casa e dos dois filhos, era ela quem, pessoalmente, tratava das criações de porcos, galinhas, patos, marrecos e perus, que mantinham na pequena chácara. Dizia ela que essas criações é que lhes propiciava o necessário para viver e educar os filhos e, por isso, não precisava esperar nada da rolaiada do marido, nem de suas negociatas com vacas e cavalos. Entre os galináceos que circulavam pela casa inteira, ela atendia a freguesia que a procurava o dia todo para comprar seus produtos, especialmente um queijo mineiro feito com maestria e delicioso. Enquanto ela dava um duro medonho, o marido, meio folgazão, circulava pela cidade, fazendo todo e qualquer tipo de negócio. Comenta-se que, certa ocasião, o delegado e investigadores estavam em diligência, lá pelos lados do bairro da Usina, à procura de duas vacas pretas, que tinham sido furtadas da fazenda Santa Gertrudes, quando encontraram o César tomando umas e outras na venda do Gordo. Estacionado em frente à venda, estava seu pequeno caminhão e na carroceria deste, duas bonitas vacas pretas. Indagado sobre as duas vacas, teria respondido ao delegado: --O cós diabo, nem tinha visto elas aí; vai vê que caíram de cima do barranco aí na carroceria, quando eu tava descansando lá na curva, em baixo daquele ingazeiro... Em outra ocasião estava o César louco para cruzar a sua égua Custódia com o alazão de um compadre seu, que tinha um pequeno sítio lá pelos lados da Boa Vista. Esse compadre, devido à sua feiúra, ouvia sempre dos amigos brincadeiras caçoando de sua aparência, dizendo que iriam contratá-lo para assombrar cemitério nas noites de sextas-feiras. Entretanto, era ele casado com uma cabocla morena, cuja beleza e formosura, diziam, era de fechar a porteira. Em trote acelerado e faceiro com sua Custódia, o César dirigiu-se ao sítio do compadre num domingo à tarde, tendo sido recebido pela bonita comadre, que vestia um lindo vestido amarelo, de rendas. --Bons dias, cumadre Zefina, cumpadre Juvená num tá em casa? --Tá não, compadre, aos domingos o Juvenal gosta de ir jogá futebol, como vancê bem sabe. --É que eu tinha cumbinado cum ele pra cruzar a Custódia com o alazão... --Tem nada não, compadre. Pode levar a Custódia na cocheira que eu levarei o alazão... Já na cocheira foram os animais logo se ajeitando e o César, de rabo de olho, admirava as partes da comadre que, inocentemente, ajudava no cruzamento. Esquecendo-se do compadrio e dando vazão à sua sem-vergonhice e fraqueza por rabo-de-saia, marotamente foi dizendo à comadre... --Cumadre, vóis mecê nem imagina a vontade que eu tô de fazê iguarzinho o alazão... Zefina, mulher séria e dedicada ao marido, de pronto retrucou: --Não se envergonhe, compadre, afinal a Custódia é sua... Vamos, aproveite... Farmacêuticos Folgados Naquela Atibaia sossegada, início dos anos sessenta, apareceu um representante de laboratórios muito bravo, porque os farmacêuticos da cidade não estavam pagando as duplicatas. Logo de manhã, foi falar com o Gilberto, gerente do Itaú, pedindo a ele que mandasse, naquela mesma hora, as duplicatas para o cartório de protestos. O Gilberto, simpático e muito brincalhão, amigo do Durval e dos outros farmacêuticos, disse ao cobrador que só mandaria as duplicatas para o protesto depois que ele, cobrador e representante dos credores, falasse pessoalmente com os devedores. Antes que o cobrador saísse do banco, o gerente já tinha reunido todos os donos das farmácias que tinham duplicatas vencidas e os levou na sua Kombi lá para os lados da Usina, onde ele tinha um rancho de pesca. Depois do almoço o cobrador dos laboratórios foi ao banco e, muito furioso, disse ao gerente que não encontrara ninguém. O gerente, muito brincalhão, colocou o cobrador na Kombi e o levou, também, na barranca do rio, encontrar-se com os devedores, que estavam na maior churrascada, regada a muita cerveja e risos. Não me lembro bem do final da estória... Sei apenas que a lengalenga das duplicatas vencidas continuou na mesma e o Cobrador, de início muito bravo, acabou ficando amigo de todos e acabou comprando uma farmácia na cidade... O Durval Mantovanini, nosso amigo e um dos pescadores, está vivo e pode confirmar essa. LENDAS A loira misteriosa do baile do Cetebê Terminava o ano de 1938 e o mês de novembro trazia grandes expectativas aos jovens, que aguardavam, com ansiedade, o baile de aniversário do Cetebê1 que se realizaria no sábado dia 26, em comemoração ao quarto aniversário de sua fundação. Os preparativos estavam sendo realizados com grande entusiasmo, pois, naquele ano, o time de futebol estava se destacando no campeonato regional. Vários craques da bola vinham encantando a molecada com seus dribles e gols espetaculares, levando ao delírio a grande torcida, constituída, em sua maioria, pelos funcionários da Fábrica de Tecidos São João e de seus familiares. O Cetebê possuía a maior e mais entusiasmada torcida da cidade. Embora a rivalidade com o São João Futebol Clube fosse grande, os admiradores deste não perderiam, de forma alguma, esse baile de aniversário. Os diretores do Cetebê, já no início de novembro, planejavam a decoração do salão principal da sede, que servia de pista de dança, e combinavam com músicos da cidade, quais melodias deveriam ser executadas. A sede que se localizava na rua José Alvim, onde hoje está instalado o banco Real, havia sido reformada e ampliada recentemente, sendo este mais um motivo para justificar o entusiasmo despertado em seus associados e nos jovens dançarinos. Um dos cetebeanos mais entusiasmado era o Chico Mistrelo, dedicado funcionário da fábrica, jogador das equipes inferiores de futebol da associação, apreciador de bailes e de rabos de saia. Aproximando-se o dia do baile, toda a garotada estava assanhada, principalmente porque diziam que viria uma comitiva de Itatiba, composta de operárias de uma fábrica daquela cidade, cujo diretor era parente do dono da fábrica de Atibaia. A moçada não falava em outra coisa. Dia e noite, em todas as ocasiões e rodinhas, o assunto era somente o baile de aniversário do Cetebê. Faziam planos e sonhavam com as lindas garotas de fora que, certamente, iriam conquistar. O mais assanhado de todos os jovens era, sem dúvida, o Chico Mistrelo que, sempre contando vantagem, caçoava com seus amigos, dizendo que acabaria conquistando a moça mais bonita da noite. Os amigos, conhecendo bem o Chico, e não vendo nele as belezas que vivia apregoando, riam a valer e o provocavam para as apostas. O Chico tão certo estava da conquista, que não titubeou: apostou com os amigos dez mil réis, confiante na conquista de uma namorada naquele memorável e esperado baile. Para surpresa de todos, não é que apareceu no baile, além da caravana de Itatiba, constituída de quinze jovens, uma loira de arromba ou, como diziam os jovens da época, de fechar a porteira. Era mais alta que o Chico, sorridente, e trajava um lindo vestido vermelho. Logo no início do baile, todos viram o interesse dela pelo Chico que, apesar de tímido com as mulheres, não perdeu a oportunidade. Dançaram a noite toda meio agarradinhos, causando um espanto geral, pois, naquela época, dançar de rosto colado era um escândalo. O Chico, cantando vitória, a toda hora olhava para os amigos e, batendo no bolso, dizia: --Já ganhei a aposta. Esses 10 paus já estão no picuá! Faltando quinze minutos para a meia noite, ela pediu ao Chico que a levasse para casa, pois prometera à mãe que voltaria à meia noite, em ponto. Caminharam pela rua José Alvim até o final e continuaram andando pela avenida da Saudade. O Chico, a partir da esquina do Asilo, começou a ficar assustado, pois, dali em diante, não mais existiam casas e estavam a poucos metros do cemitério. Tal era o medo que ele, não fosse a aposta, teria desistido da empreitada. Muito assustado continuou caminhando ao lado da loira até o final da avenida, e, com todos os pêlos e cabelos arrepiados, viu a linda loira atravessar o grosso portão de ferro do cemitério, sem abri-lo e desaparecer entre as sepulturas. Os mais antigos afirmam que esse fato foi verídico e determinou a ausência do Chico, por muito tempo, em bailes e outras festas. E-MAILS RECEBIDOS Anchieta: Muito interessante as histórias, principalmente, a da égua Custódia. Atibaia vai ter, felizmente, mais uma documentação muito boa sobre sua história. Abraços, Carlos Alberto Oi Zinho, Já dei uma olhada no livro. Parece que, como os outros, já é um sucesso. Parabéns! Sylvia Caro Amigo Cuié, Saudações Na verdade estou “tc” estas poucas linhas para lhe cumprimentar, pois você continua surpreendendo, continua pró-ativo, continua pertinente, buscando, descobrindo, criando. Esse é o Cuié que sempre conheci e com quem tive o privilegio de conviver boa e proveitosa temporada em minha juventude. Você me passa a idéia de tipo invencível, aquele lutador que sempre está no primeiro “round”, esbanjando energias e vigor. Parabéns, companheiro, pelo novo livro e siga em frente com muito sucesso. Abraços, do amigo e sempre admirador, Piovesan Amigo Anchieta, Veja o artigo que escrevi para os jornais: A edição dos livros “Pelas Ruas de Atibaia” e “Construtores da Sociedade Atibaiense” pelo escritor José de Anchieta colocaram Atibaia em foco. Feliz idéia, do nosso já consagrado escritor, colocar retratos em prosa! Belíssima homenagem às pessoas, que despretensiosamente dedicaram suas vidas ou parte delas à terra de Jerônimo de Camargo! Com que sensibilidade e carinho Anchieta descreve o trabalho de cada um, nos mais diferentes setores! Todos aqueles que tiveram a feliz idéia de comparecer ao lançamento do último livro presenciaram uma apaixonada declaração de amor à Atibaia! Sabemos bem, e Anchieta também sabe, que outros nomes podem e serão incluídos na galeria dos construtores da sociedade atibaiense. Apoiar um trabalho tão grandioso, para que tenha continuidade, é dever de todos nós protagonistas ou não da história atual de Atibaia. Estimular nos jovens o amor pela sua cidade, através do respeito aos personagens da sua história, é criar raízes sociais profundas que só o futuro poderá avaliar. Atibaia necessita desta injeção de amor! Parabéns Anchieta! Parabéns a todos aqueles, que a partir do seu trabalho, carregarem com garbo a bandeira da nossa cidade! Vamos todos orgulhosamente hasteá-la no topo da Pedra Grande! Profª Irmã Pereira Pontes Vasquez Bom dia Anchieta, O livro Becos, Lendas e Casos Pitorescos é o resultado de uma minuciosa e demorada pesquisa que reúne, num fascinante clima de surpresas, causos esquecidos desta Atibaia tão rica em sua diversidade, mas de escasso conhecimento público; e agora estamos sendo presenteados pelo escritor José de Anchieta com este livro que nos fará conhecer mais e melhor nossa própria história. Eunice Varella Massoni Amigo Anchieta, José de Anchieta Loriano, emérito escritor (ou escrevinhador?) das causas, dos causos e cotidiano do passado atibaiense, brinda-nos, mais uma vez, com o terceiro livro sobre nossa cidade e nossa sociedade. Não bastasse o sucesso de suas anteriores publicações – Pelas Ruas de Atibaia (2002) e Construtores da Sociedade Atibaiense – Retratos em Prosa (2003), eis que, como precursor de João Batista Conti, apresenta-nos essa jóia literária. Extraída dos escaninhos da memória e da sempre percuciente busca da historia e dos fatos – característica inerente a todo historiógrafo – Becos, Lendas e Causos Pitorescos é o retrato da bucólica cidade de Atibaia dos tempos passados, de nossos amigos, parentes, amigos de nossos parentes, enfim, toda uma coletividade, sempre e para sempre albergada sob o manto da Pedra Grande. Neste livro, que também poderia chamar-se Atibaia Rediviva, o autor, José de Anchieta Loriano assemelha-se à figura daquele simpático bilheteiro e chefe da estação SAUDADE, a qual, todos nós, um dia iremos transitar e quiçá, se tivermos um sucessor de porte e galhardia como J. Anchieta, também seremos eternizados. Wilson José Constantino Ferreira Anchieta, Mais uma vez meus parabéns por sua atuação em tornar o nosso “Paraíso quase possível na terra” algo palpável a todos aqueles que entram em contato com tua coluna. Quanto aos dados sobre o padre Ernesto Veloso, a família já está coletando os dados e fotos para que possam servir a você. Antônio Carlos Bernardo Caro Cuié, Excelente ! Nada como ver contados os "causos" da vida que com a perspectiva do tempo ganham cores de ficção. Siga em frente. Ficamos saboreando de longe, na arquibancada da vida. Totonho Prezado Senhor Anchieta, Em primeiro lugar, quero agradece-lo pelo excelente trabalho desenvolvido nestes últimos anos. A memória de Atibaia não poderia nunca ser esquecida e, pessoas como o senhor, fazem falta em qualquer lugar do Mundo. Continuem, que as gerações futuras e presente agradecem. Estas precisam de saber quem foram e o que fizeram seus antepassados. Estudar (saber) a história faz-nos sonhar com o futuro e assim podemos actuar melhorando o presente. Sem outro assunto de momento, apresento os meus melhores cumprimentos, José Carlos Paolinetti da Câmara Casa do Brasil de Lisboa Lisboa - Portugal Apoio Cultural: Grêmio Esportivo Atibaiense José Calazans da Silva Coral Bel Canto Pascoal Roberto de Carvalho Coral Pro Arte José Carlos de Moraes Pinto Marcos Tadeu Contesini Quinteto de Sopros de Atibaia Édson da Costa Manso Rádio Eldorado programa Geraldo Nunes Hércules Brasil Vernalha Rádio Conexão de Atibaia Hélio Moraes Silveira Pinto Atibaia.com.br Atibaia Mania | ||
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